Tanto Maputo quanto Matola viveram um momento de parada às 21 horas. A convocatória foi feita por Venâncio Mondlane por volta das 13 horas, alcançando dois objetivos: mobilizar a população para boicotar o jogo da seleção nacional de futebol e promover um ato de protesto sonoro com panelas. O resultado foi um verdadeiro triunfo das panelas, onde todos se tornaram campeões.
O povo armou-se com panelas, apitos e as famosas vuvuzelas para expressar sua indignação diante da fraude eleitoral e dos assassinatos de manifestantes, situações que têm sido fomentadas pelo Governo da Frelimo. Desde os bairros nobres de Julius Nyerere, onde reside a elite, até as periferias de Nkobe, passando pelos labirintos de Maxaquene e Chamanculo, ouviam-se gritos de "avhayive", uma alusão ao partido Frelimo e sua conduta nas eleições.
Na zona de Cimento, muitos se acomodaram nas varandas, temerosos de represálias policiais. Nos bairros, no entanto, as pessoas se reuniram para marchar, enquanto outros se concentraram em protestos. O som ensurdecedor da manifestação ecoava em todas as direções. Entretanto, enquanto a população celebrava, esquadrões da morte, armados e com ordens para reprimir, se dividiam pelos bairros, aludindo a uma macabra celebração das vidas ceifadas. Nove vidas foram perdidas naquela noite fatídica.
A gritaria contra a fraude ressoou intensamente no mesmo dia em que o País soube que a ação de bater panelas poderia ser punida com a pena de morte.