Sob a justificativa de manter a ordem pública, essas ações têm como alvo não apenas os participantes de protestos, mas também moradores de áreas periféricas, que enfrentam constantes ameaças e violência.
As práticas do SERNIC, amplamente documentadas, revelam uma estratégia institucionalizada e sem respaldo legal, ultrapassando as violações usuais de direitos humanos e configurando crimes de Estado contra civis.
Entre essas práticas estão execuções extrajudiciais, uso desproporcional de força letal, operações clandestinas para identificar e perseguir jovens ligados aos protestos e o uso de veículos descaracterizados para infiltração em comunidades.
O envolvimento do SERNIC, enquanto órgão estatal, evidencia que a repressão não é resultado de forças policiais desorganizadas, mas de uma política coordenada com o objetivo de sufocar movimentos sociais legítimos.
Esse contexto reforça a urgência de questionar o papel das instituições de segurança pública em Moçambique e de responsabilizar os autores dessas violações.